Poesia cansada

Tédio não é só condição. É situação. É sentimento. Sentimento que pouco cessa. Que muito fica e acompanha. Estaciona, esparrama e toma conta. Sentimento contínuo. Sentimento burro que nunca abandona.
Antecede o tudo. A tristeza, dor e prazer. É repouso. Companheiro. É humorado. Mau-humorado. Cômico! É Nada. É parado e achatado.
É o desconforto da preguiça. É uma preguiça exausta, que direciona.
Direção de lá ou cá, pouca importa, apenas vá.
E se não ir ele aflora e deflora com chacota.
É um sentimento de fazer perceber e senão partirmos pra fazer, não somos capazes de ser.
Incapazes!
Castrados. Impotentes de não fazer o que se tem de fazer. De criar o que fazer. É um não fazer.
É sentimento. É romântico. É Poético. Poesia viva de vida que trilha sempre uma saída. É rima pobre, rica. É rima da vida de ‘cabeça ativa’. É uma vida. Uma Fila longa. Um feriado!
É Poesia de repouso, abafada. Ritual acuado. Pôr do sol desfalecido na madeira. É Poesia de Sorte, de Morte!












[Para Milla Dream on, ou kamilla para os menos íntimos!]

Mais Uma Idade, Feliz Idade!


É tempo sentido dum tempo fingido. Pra uns é libertino e pra outros, falido. Particular. Finito. Incorrigível, talvez. O fardo do Homem está na dor-alegre – do sangue – da Mãe. Nascimento?
Cartões, meias, carros, soldados, bolas, armas, abraços e por aí vai; Muitos em diminutivo ‘inho’ e no masculino mesmo, porque sou assim, um Varão!
Se agora eu fosse uma carta, seria apenas uma introdução e mau redigida. Um textículo, sem muita borda, com muita busca e que encontra na fuga um ritmo pra tudo, para o mundo, de um e outro, não sei.
Pode até ser triste – e certamente é triste – mas é algo meu como também existem os “seus”. É carrossel. Uma data que volta e revolta em torno do retorno, que só cessa com o recesso da obra que, ora é minha, ora é de Deus e, outrora, era dos outros.
Uma carta de vivências que brinca de nada, de ser, de receber e que futrica o aqui! É minha data, porém gostam mais dela do que eu e, por isso, saúdam ao ventre e ao bem-dito ao fruto.
Então, o que posso dizer, senão: “Tudo de bom”, pra mim!
São como os versos de Emílio Moura, “Viver não dói. O que dói é a vida que se não vive”.

CarnaMoc - BH 2010 part. 1

O que prometia ser mais uma frustação na minha vida, se mostrou construtivo e cheio de aprendizagem. Além de outras coisinhas que eu só conto na segunda parte desse relato carnavalesco, como se fosse um 'desfile das campeãs, sabe?

1 - dê um jeito de ir numa festa gay de carnaval. Sempre tem mulheres e, como a oferta de heteros é quase nula, a sensualidade rola fácil;

2 - cuidado com o amigo que vai comprar cervejas, ele pode ficar com seu troco e você só vai notar isso quando o motorista do táxi lhe disser que a corrida custou $12,80;

3 - beba Bohemia Weiss e Confraria, tu vai ficar doidão;

4 - não se esqueça da regra nº 1 dos jogos do amor, jamais dê moral para a garota no dia seguinte, ou você vai passar o resto do ano puto com esse seu romantismo pré-adolescente;

5 - estoque as centenas de camisinhas que você ganhou, sempre rola uma festa bacana para gente usá-las de balão;

6 - ...e ano que vem tem mais!

=]

Perfil

É Pessoa de gosto fino, de gozo requentado sem afinco. Pouco importa se o tempo corra, desde que escorra. Gosta de sentar e ver a vida passar, de passear e ver a vida assentar. Costura um faz-de-conta de meninices de um palhaço resmungão, que cantarola os contos dum mocinho-bandido ladrão de coração. Pra fora do calabouço, pela janela de aluvião, se ver na ‘água de rio que vai para o mar’, é ‘nuvem nova que vem pra molhar’.

É photo bonita, de moça faminta por gotas de chuvas com gosto de fuga. É coisa que destina o drama que confidencia, a coincidência que desatina a palavra de Deus, arauto de aporias?

Réstia?

Borda o jardim. Suspira o café. Castelo de Marfim. Punhado de mel. Dilui o abraço. Olho quadrado. Réu da folia. Gaiola de fios. A alegria dos versos é a mudez da sintonia.

Está Pronta!

Está pura, está nua e crua!






Por Sanchez

Miúdez

É uma Criança.
Uma criança que já quer crescer
e que diz ‘precisar’ crescer.
Já apresenta uma pequena vergonha de ser criança,
de deixar saber que ainda dorme com o gato na cama.
Vergonha por chorar escondido,
no banheiro e no seu íntimo.
Não quer mais ter indiferença por beijos
e não ter de mentir sobre garotas.
Quer crescer, mesmo com medo,
não quer ter medo, mesmo sendo criança.
A mesma Criança que quer crescer
e que recusa o medo de envelhecer,
de empalidecer, definhar, perecer.
Quer apenas crescer,
mesmo pirraçando o irmão menor.
Uma pirraça descomprometida,
sem motivos, sem maldade.
Quer sair, enturmar e dizer pra si,
o quanto já é idêntico
dos muitos que estão por aí.
Quer parar de fingir.
De fingir de sorrir quando é dito
sobre qualquer experiência
de algum tipo,
que o [seu] sorriso fingido te autorizou,
a dizer sim!
pela experiência que nunca passou.
É apenas mais uma criança que quer crescer.
Que diz ‘precisar’ crescer.

Relatos de uma noite de verão...

"...ela mandou falar pra eu nao ir, mas fui assim mesmo,
achei desaforo demais ela nao ter a 'hombridade' de me ligar e pedir isso, saca?

Chegando lá encontrei com outra amiga dela e ficamos sentados juntos, rolou a missa, aquele trem todo, os formandos entraram de dois em dois, músicas, cantos, padre, pastor(?), homenagens, agradecimentos... ...fui ficando com frio na barriga a cada trecho decorrido da tal celebração, até que acabou e todos saíram.

Estava lotado, fui lá, dei um abraço nela, falei que ela estava linda, desejei parabéns, fiquei uns 2 minutos ali por perto, aí me despedi, entreguei um cartão e fui embora. Nessa hora foi muito louco! Pq ela estava meio nervosa, sei lá. Talvez com medo da familia chegar - acredito q eles ainda não saibam - aí ela disse 'a gente conversa depois' e rolou um sorriso assim no canto da boca...

Sai de lá leve, parecia que estava tudo resolvido, foi bom, me senti livre e pensei que, mesmo se não voltarmos me sinto com o 'dever cumprido.'

Mas hoje acordei de ressaca e estou aqui de novo, consumido pela ansiedade e sem p*rra nenhuma para fazer...

InsiteMoc

Como é Sabido, a dor da frustração, da decepção e de seus afins permeia todos aqueles que ousam viver, conviver e renascer neste mundo. Entendendo isto como um senso comum é que este nosso espaço de divagações, de reflexões e, principalmente, de desabafo encontra reconhecimento e, através dos relatos, histórias e dramas contidos neste, que temos a oportunidade de divulgar os nossos ideais, intenções e jutificativas quando é escrito tal coisa. E para esta divulgação contamos com a colaboração do pessoal do InSiteMoc. E a eles deixo o agradecimento pela oportunidade de apresentar, aos diversos públicos e/ou tribos, a intenção da criação de nosso Blog e relatar o conteúdo existente nos nossos textos.

Para os interessados em ver o artigo - escrito por mim - sobre este espaço, aqui vai o link. http://insitemoc.blogspot.com/2009/12/painel-de-ideias-ai-me-afogo-num-copo.html

Numa garimpagem excêntrica, numa tentativa rústica de identificar o desnorteio (da psique) de um outrem que, em meio a confusão da dor, do ser, do vir e do está é que buscamos os melhores contos, histórias, realidades, fantasias, dramatizações, drasticidades e a honestidade do amargo, na qual somos complacentes do contexto ímpar, porém não único da vida de um HOMEM, de sua "catarse" sentimental diante de um balcão de bar.


Rodolpho Bastos
&
Tim Pires

Afinados

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